FATOS POLICIAIS

sábado, 15 de junho de 2024

ROBERTO BEZERRA FREIRE

 

POR TICIANO DUARTE – Jornalista, Jornal Tribuna do Norte 



ROBERTO BEZERRA FREIRE que dá nome a principal avenida, pela qual se chega à belíssima praia de Ponta Negra, foi uma das grandes figuras de Natal.  Era engenheiro-agrônomo, mas, transformou-se em empresário vitorioso, no ramo da construção civil, em certa época, liderando a atividade de construção das obras públicas, em nosso Estado.

Boêmio, autor e personagem de episódios folclóricos e do anedotário popular, ainda hoje relatados pelos que conheceram ou testemunharam os momentos de alegria e lazer que o doutor Roberto Freire, como era chamado e conhecido, viveu ao lado do seu inseparável companheiro, Luiz de Barros, sempre sob a guarda do seu motorista e escudeiro, apelidado de “Cancão”.

Aliás, Luiz de Barros, carinhosamente chamado de compadre Luiz, é um nome que está sendo esquecido. Outro grande boêmio em Natal, comerciante, político, foi vereador, deputado estadual e senador da República. Era homem inteligente, de fina sensibilidade, gostava de ler os clássicos da literatura, de ouvir a boa música, da convivência com os intelectuais.

Luiz de Barros e Roberto Freire, formavam a grande dupla de boêmios, à moda antiga, sempre presente nos grandes acontecimentos festivos, num tempo em que a cidade era imune às violências tão constantes, nos dias de hoje.

Roberto Freire era generoso. Liderava um grupo de boêmios que o acompanhavam pelos bares populares da cidade, nas 48 ou 72 horas que fossem necessárias para o itinerário sentimental e alegre, sem dispensar as presenças dos seresteiros com seus respectivos instrumentos musicais, encerrando as madrugada nos recantos mais sagrados desse périplo que exigia preparo físico e fé de ofício.

Foi um tempo que marcou uma fase rica de cidade provinciana, ainda de hábitos de urbe sem vida trepidante, como a de hoje, cuja população ameaça chegar a casa do milhão, invadida de turistas, enfrentando desafios administrativos, em face do seu crescimento desordenado.

Mas, Roberto Freire, com os seus “causos”, suas histórias e estórias hilariantes, seu humor contagiante, peripécias, um largo coração de boêmio e cidadão honrado, está na galeria da saudade. Era estimado por gregos e troianos. Respeitado pela sua conduta empresarial, ajudando ao crescimento e progresso da cidade que ele tanto amou.

O professor Severino Bezerra, grande educador, criador do colégio Pedro II e diretor do departamento Estadual de Educação do Estado, por muitos anos, nos governos do antigo PSD, era seu tio e pai de criação. Roberto tinha por ele uma verdadeira adoração, o respeito pela sua conduta de educador e chefe de uma prole numerosa. Das inúmeras histórias de Roberto Freire, uma me foi contada recentemente, por um dos seus parentes, ocorrida no início do governo de Dinarte Mariz, anos 1956-1957.

O então Secretário de Educação, Tarcísio Maia, solicitou ao Ministério da Educação, auditoria para examinar as contas da administração do professor Severino, à frente daquela Pasta.

Roberto Freire revoltado com o que ele considerou um acinte à honorabilidade do seu tio e pai adotivo, consciente que as razões eram políticas, após algumas doses duplas de uísque, armou uma cena que parece inverossímil, mas, foi verdadeira.

O auditor estava hospedado no Grande Hotel. Roberto foi até lá, invadiu o apartamento do servidor federal e disse-lhe:

– ARRUME SUA MALA E ME ACOMPANHE ATÉ AO AEROPORTO.

Em seguida levou o cidadão para embarcar no primeiro avião. E assim foi feito. Não se tem notícia que o homem tenha voltado a Natal, nem que o governo federal tenha enviado outro auditor para vasculhar as contas do homem de bem que foi o saudoso professo Severino Bezerra. Ficou por isso mesmo.

FONTE – TRIBUNA DO NORTE E LIVRO 400 NOMES DE NATAL

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