POR TICIANO DUARTE – Jornalista, Jornal Tribuna do Norte
ROBERTO BEZERRA FREIRE que dá nome a principal avenida, pela qual se
chega à belíssima praia de Ponta Negra, foi uma das grandes figuras de
Natal. Era engenheiro-agrônomo, mas, transformou-se em empresário
vitorioso, no ramo da construção civil, em certa época, liderando a atividade
de construção das obras públicas, em nosso Estado.
Boêmio, autor e personagem de episódios
folclóricos e do anedotário popular, ainda hoje relatados pelos que conheceram
ou testemunharam os momentos de alegria e lazer que o doutor Roberto Freire,
como era chamado e conhecido, viveu ao lado do seu inseparável companheiro,
Luiz de Barros, sempre sob a guarda do seu motorista e escudeiro, apelidado de
“Cancão”.
Aliás, Luiz de Barros, carinhosamente
chamado de compadre Luiz, é um nome que está sendo esquecido. Outro grande
boêmio em Natal, comerciante, político, foi vereador, deputado estadual e
senador da República. Era homem inteligente, de fina sensibilidade, gostava de
ler os clássicos da literatura, de ouvir a boa música, da convivência com os
intelectuais.
Luiz de Barros e Roberto Freire,
formavam a grande dupla de boêmios, à moda antiga, sempre presente nos grandes
acontecimentos festivos, num tempo em que a cidade era imune às violências tão
constantes, nos dias de hoje.
Roberto Freire era generoso. Liderava
um grupo de boêmios que o acompanhavam pelos bares populares da cidade, nas 48
ou 72 horas que fossem necessárias para o itinerário sentimental e alegre, sem
dispensar as presenças dos seresteiros com seus respectivos instrumentos
musicais, encerrando as madrugada nos recantos mais sagrados desse périplo que
exigia preparo físico e fé de ofício.
Foi um tempo que marcou uma fase rica
de cidade provinciana, ainda de hábitos de urbe sem vida trepidante, como a de
hoje, cuja população ameaça chegar a casa do milhão, invadida de turistas,
enfrentando desafios administrativos, em face do seu crescimento desordenado.
Mas, Roberto Freire, com os seus
“causos”, suas histórias e estórias hilariantes, seu humor contagiante,
peripécias, um largo coração de boêmio e cidadão honrado, está na galeria da
saudade. Era estimado por gregos e troianos. Respeitado pela sua conduta
empresarial, ajudando ao crescimento e progresso da cidade que ele tanto amou.
O professor Severino Bezerra, grande educador,
criador do colégio Pedro II e diretor do departamento Estadual de Educação do
Estado, por muitos anos, nos governos do antigo PSD, era seu tio e pai de
criação. Roberto tinha por ele uma verdadeira adoração, o respeito pela sua
conduta de educador e chefe de uma prole numerosa. Das inúmeras histórias de
Roberto Freire, uma me foi contada recentemente, por um dos seus parentes,
ocorrida no início do governo de Dinarte Mariz, anos 1956-1957.
O então Secretário de Educação,
Tarcísio Maia, solicitou ao Ministério da Educação, auditoria para examinar as
contas da administração do professor Severino, à frente daquela Pasta.
Roberto Freire revoltado com o que ele
considerou um acinte à honorabilidade do seu tio e pai adotivo, consciente que
as razões eram políticas, após algumas doses duplas de uísque, armou uma cena
que parece inverossímil, mas, foi verdadeira.
O auditor estava hospedado no Grande
Hotel. Roberto foi até lá, invadiu o apartamento do servidor federal e
disse-lhe:
– ARRUME SUA MALA E ME ACOMPANHE ATÉ AO
AEROPORTO.
Em seguida levou o cidadão para
embarcar no primeiro avião. E assim foi feito. Não se tem notícia que o homem
tenha voltado a Natal, nem que o governo federal tenha enviado outro auditor
para vasculhar as contas do homem de bem que foi o saudoso professo Severino
Bezerra. Ficou por isso mesmo.
FONTE – TRIBUNA DO NORTE E LIVRO 400
NOMES DE NATAL

Nenhum comentário:
Postar um comentário